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Emir Ribeiro fala sobre Epopeia
Por Sabrine Kelmer

arte de Leo Laino
Sabine: O que sabe a respeito do início do projeto Epopéia e o andamento dele?
Emir: "Epopéia" é idéia antiga do Elenilton Freitas e Marcos Franco. Um projeto que reúne diversos personagens nacionais e culmina com um evento que modificará alguns deles.
Já houve uma primeira tentativa, que falhou por conta de problemas na entrega dos trabalhos. Mas, como Elenilton e Marcos são muito batalhadores, tentaram novamente.
Confesso não estar inteirado do andamento da Epopéia, pois, como confio no tato desses dois amigos para gerir os trabalhos.
Sabine: O que pensou sobre matar Velta?
Emir: Inicialmente, resisti, mas – novamente confiando no bom trabalho desses dois amigos – autorizei que houvesse um fim para a loura.
Sabine: Fale sobre a morte de Velta em Epopéia e a relação que este evento terá com sua "parada" em publicar novas aventuras de Velta.
Emir: Nenhum personagem é eterno, e muito menos está imune às mudanças. Com Velta, não será tão diferente disso, e conforme foi combinado, após a Epopéia, as histórias da Velta sofrerão descontinuidade. Deverei publicar apenas material ou histórias que se passem antes da Epopéia, talvez com encontros entre Velta e outros personagens nacionais ou a série “Realidade Alternativa”.
De certeza sobre as próximas publicações é a exploração maior de outras criações, como Nova e o Homem de Preto.
Sabine: Por que quer dar uma pausa com Velta?
Emir: Primeiramente, porque os rumos dos acontecimentos das últimas histórias levam à essa decisão. E uma pausa é sempre importante para uma reciclagem ou uma mudança radical.
Sabine: Além da capa da parte final, desenhada por Mike Deodato e você, você vai mesmo participar no roteiro de Epopéia?
Emir: De fato, fui convidado pelos amigos Marcos e Elenilton para participar do final do roteiro da Epopéia, pois assim poderei dar a direção planejada para Velta e outros, dando o encaminhamento necessário aos fatos das vidas dos personagens.
Sabine: Alguma vez já pensou em parar totalmente de publicar quadrinhos?
Emir: Já pensei, pois é sempre decepcionante ver que certas coisas prejudiciais à classe dos quadrinhistas e ao quadrinho brasileiro, continuam sendo praticadas. Com isso, não temos mercado interno forte, e não temos força alguma, como classe.
Isso me levou a parar de pensar na classe ou no quadrinho Brasileiro e me concentrar apenas no meu trabalho.
Sabine: Na sua opinião a cabeça do leitor de quadrinhos nacionais mudou em relação a décadas anteriores, pra pior, pra melhor...?
Emir: Os leitores dos quadrinhos nacionais sempre foram uma parcela ínfima do leitorado total. E continua sendo, pois – no geral - mesmo os próprios quadrinhistas são consumidores vorazes do material importado/traduzido, o qual deveria ser visto como CONCORRENTE, e não o é. Essa visão só denigre o quadrinho nacional, seus personagens e seus artistas.
Sabine: Se arrepende de alguma coisa em relação a sua vida nos quadrinhos?
Emir – Não me arrependo, pois fiz tudo com a consciência de concentrar esforços para produzir o melhor que eu poderia produzir, para meu público. Sendo meu um trabalho autoral, é direcionado a um público específico: aquele que ler minhas revistas e gostar delas, sem levar em conta análises técnicas, “regras” ou qualquer imposição mercadológica. Não faria, se pudesse mudar o passado, nada de diferente do que já fiz antes.
Sabine: Algum sonho em relação aos seus quadrinhos que ainda gostaria de realizar?
Emir: Há um bom tempo que não sonho mais, pois a realidade é esta que vemos aí. Gostaria de ver meus personagens em carne e osso, num filme, numa série ou em uma novela. Mas, não tenho mais aspirações quanto a isso, pois todos sabem como é difícil ou quase impossível isso ocorrer.
Por isso, mantenho apenas a publicação presente para contentar meu público, sem esperar mais por grandes conquistas. Não adianta sonhar, se não temos como realizar, principalmente porque o estado imutável do quadrinho brasileiro não o permite.
Sabine: O que pensa do atual panorâma de quadrinhos nacionais? Alguma luz no final do túnel? A tendência é os quadrinhos nacionais caírem? Algo ainda pode acontecer para dar um novo "boom"?
Emir: Aparenta estar havendo alguma mudança, mas esse cheiro de que algo vai mudar já foi sentido antes, e as coisas não melhoraram.
Sabine: O que diria para encerrar?
Emir:
Resta apenas ir vivendo um dia após o outro, mantendo a luta, e continuar torcendo para o melhor acontecer, pois é isso que faz o artista continuar ativo.
Leia mais sobre a conclusão de Elenilton Freitas à respeito desta entrevista no fórum de Epopeia: Sitio de Epopeia
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